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Casamento tradicional no civil e religioso cresce entre os mais velhos em SP

16-01-2026

Segundo a Fundação Seade, nos últimos anos os mais jovens têm optado cada vez mais pela união informal

O casamento tradicional, aquele feito no civil e no religioso, está ficando cada vez mais restrito às pessoas mais velhas. As novas gerações vêm optando majoritariamente por uniões consensuais, sem formalização oficial, com um avanço de mais de 18% entre 2010 e 2022, como mostra um levantamento feito pela Fundação Seade, baseado nos dados mais recentes do Censo Demográfico de 2022.

Os números revelam que há hoje uma mudança silenciosa, porém estrutural, nos padrões de relacionamento no Estado de São Paulo.

A análise também indica uma leve redução dos casamentos celebrados simultaneamente no civil e no religioso na última década. Em contrapartida, cresceu o número de uniões formalizadas apenas no civil e, principalmente, das uniões consensuais, que. O dado reforça a consolidação social desse tipo de arranjo, cada vez mais aceito e difundido, sobretudo entre os mais jovens.

A união consensual, vale lembrar, é caracterizada pela convivência estável entre duas pessoas que se apresentam socialmente como casal, mas sem registro de casamento civil.

Idade define o vínculo

No recorte por faixa etária, o contraste é claro. Entre os homens mais jovens, especialmente entre 20 e 29 anos, a união consensual é o tipo de relacionamento predominante. Até os 39 anos, esse modelo supera as demais formas de união, com mais da metade dos homens nessa faixa etária vivendo em relações não formalizadas.

Entre as mulheres, o cenário é semelhante, mas com nuances importantes. O casamento civil e religioso segue como a forma predominante na maioria das faixas etárias femininas, sobretudo entre 35 e 59 anos, com pico no grupo de 40 a 44 anos.

Já as mulheres que declararam viver em união consensual representam 31,5% do total e, dentro desse grupo, cerca de 80% têm menos de 50 anos. A concentração é maior entre 25 e 34 anos, faixa em que a informalidade se mostra mais alinhada ao momento de vida e às escolhas individuais.

Escolaridade influencia

O grau de instrução aparece como outro fator relevante, segundo a Fundação Seade. O casamento civil e religioso é predominante em praticamente todos os níveis educacionais, com maior peso entre pessoas com escolaridade mais elevada. Já as uniões consensuais são mais frequentes entre indivíduos com ensino fundamental completo e médio incompleto, indicando que fatores socioeconômicos também influenciam o tipo de formalização escolhida.

Os casamentos realizados exclusivamente no civil apresentam participação intermediária e relativamente homogênea entre os diferentes níveis de instrução, enquanto os vínculos apenas religiosos seguem com baixa representatividade em todos os recortes. Esses padrões se repetem de forma semelhante entre homens e mulheres.

Mudança de comportamento

Os dados revelam uma transformação da sociedade paulista, com novos arranjos familiares, cujas implicações vão além da esfera privada, de acordo com a Fundação Seade, uma referência nacional na produção de estatísticas socioeconômicas e demográficas.

O avanço das uniões consensuais dialoga com mudanças culturais, maior autonomia individual e novas formas de organização da vida a dois. Já a concentração do casamento civil e religioso entre faixas etárias mais elevadas sugere que a formalização continua sendo uma escolha associada à estabilidade, patrimônio e planejamento de longo prazo.

Fonte: InfoMoney