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Projeto Amarajó une autoridades e lideranças de todo o Brasil em uma semana de agendas pela proteção de mulheres, meninas e crianças no Marajó

02-06-2026

No coração do Marajó, iniciativa reforça o compromisso da atividade extrajudicial com cidadania, acolhimento e enfrentamento à violência

 

Durante os dias 18 a 22, em Portel, no Marajó, o Projeto Amarajó, braço social do ELLAS — iniciativa dos Cartórios do Brasil — reuniu autoridades, lideranças femininas, representantes da atividade extrajudicial, pesquisadores, comunidades tradicionais e projetos sociais em uma programação voltada ao acolhimento, à cidadania e à proteção de mulheres, meninas e crianças em situação de vulnerabilidade.

 

Mais do que uma sequência de compromissos institucionais, a agenda representou uma imersão na realidade marajoara. Foram dias de escuta, encontros, visitas, apresentações culturais, diálogos com comunidades e ações simbólicas que reforçaram a presença dos Cartórios do Brasil onde a população mais precisa: ao lado da dignidade, da documentação civil, da proteção social e do enfrentamento à violência.

 

No centro de cada atividade esteve a mesma mensagem: proteger mulheres, meninas e crianças é também garantir cidadania, acesso a direitos, acolhimento e oportunidades para recomeçar.

 

Cartórios do Brasil contra a violência

 

Um dos momentos mais simbólicos da programação foi a instalação da placa “Cartórios do Brasil contra a violência”, em Portel. A ação marcou o compromisso da atividade extrajudicial com a proteção social e com a construção de uma rede de apoio às mulheres, meninas e crianças do Marajó.

 

Mais do que uma identificação visual, a placa representa uma declaração pública de responsabilidade. Ela simboliza que os Cartórios do Brasil estão presentes não apenas nos atos formais da vida civil, mas também na defesa da dignidade humana, no combate à violência e no fortalecimento de caminhos para que famílias em situação de vulnerabilidade possam acessar direitos e reconstruir suas histórias.

 

A instalação da placa abriu espaço para uma reflexão maior sobre o papel dos Cartórios na sociedade. Em regiões como o Marajó, onde a distância, a desigualdade e a ausência de serviços básicos ainda impactam diretamente a vida de muitas famílias, a presença institucional da atividade extrajudicial se torna ainda mais importante.

 

O nascimento de um espaço de acolhimento

 

A programação também foi marcada pela visita à sede do Projeto Amarajó, em Portel. Autoridades e lideranças femininas de diferentes regiões do país conheceram de perto a estrutura que está sendo preparada para acolher mulheres, crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.

 

A sala das máquinas já está praticamente concluída, e o próximo passo será a finalização do espaço dedicado às crianças. O ambiente está sendo pensado para oferecer cuidado, escuta, segurança, afeto e proteção.

 

O Amarajó nasce a partir do ELLAS com uma proposta clara: transformar presença institucional em cuidado concreto. A iniciativa amplia a atuação dos Cartórios do Brasil para além dos balcões das serventias, mostrando que cidadania também se constrói com acolhimento, sensibilidade e compromisso social.

 

Estiveram presentes na agenda nomes como Daiane Nogueira de Lira, conselheira do CNJ; Raquel Elias Ferreira Dodge, jurista brasileira, integrante do Ministério Público Federal e ex-procuradora-geral da República; Moema Locatelli Belluzzo, tabeliã e registradora, diretora da ANOREG/BR, diretora de Assuntos da Amazônia Legal do ONR e presidente da ANOREG/PA; Myrza Tandaya Nylander Brito, registradora, presidente do CRI/PA e diretora da ANOREG/PA; Ana Cristina de Souza Maia, registradora de imóveis em Mariana/MG; Camila da Silva Prado, assistente administrativa no ELLAS e no RIB-MG; Karoline Sales Monteiro Cabral, presidente da Associação de Registradores de Imóveis da Bahia; e Nancy Raquel Dutra Felipetto Malta, tabeliã do Tabelionato de Protestos de Títulos de Contagem/MG.

 

A presença dessas mulheres reforçou uma das marcas do projeto: mulheres em rede, atuando para proteger outras mulheres, meninas e crianças.

 

Escuta, diálogo e reconstrução de histórias

 

Ao longo dos três dias, a programação abriu espaço para momentos de escuta e acolhimento. Foram compartilhadas histórias de mulheres marcadas pela violência, pela fome, pelo abandono e pela ausência de proteção. Relatos difíceis, mas necessários para compreender a urgência de iniciativas como o Amarajó.

 

O encontro mostrou que o acolhimento não se resume à assistência material. Ele começa pela escuta, pelo respeito às trajetórias e pelo reconhecimento da dor de quem muitas vezes foi silenciada.

 

Por meio do ELLAS e do Amarajó, os Cartórios do Brasil reafirmam que combater a violência contra mulheres, meninas e crianças exige mais do que discursos. Exige presença, rede, orientação, cuidado e ações capazes de devolver segurança e esperança a quem precisa recomeçar.

 

Comunidades tradicionais e soluções para a vida na Amazônia

 

A proteção das mulheres, meninas e crianças do Marajó também passa pelo acesso a condições básicas de vida. Por isso, a programação incluiu a apresentação do Projeto AguaFlor, que trouxe ao centro do debate os desafios enfrentados por comunidades quilombolas de Portel, como Cipoual e Tauçu.

 

As comunidades convivem com longas distâncias, dificuldades de acesso e limitações no fornecimento de água de qualidade. Essa realidade afeta diretamente o cotidiano das famílias, especialmente das mulheres, que muitas vezes assumem o cuidado da casa, dos filhos e da comunidade.

 

Durante a apresentação, também foi conhecida a startup Amazon Pororoca, desenvolvida por Érica Vieira, do ProfÁgua/UNIFAP. A iniciativa trabalha na produção de filtros feitos a partir do caroço do açaí, com o objetivo de melhorar a qualidade da água para consumo.

 

A pauta mostrou que proteger crianças e famílias também significa olhar para o território onde vivem. No Marajó, cidadania, saúde, meio ambiente, inovação e justiça social caminham juntos.

 

Inclusão, Libras e pertencimento

 

Outro momento marcante da agenda foi a participação de Bernarda Santana Dias, que destacou a importância da valorização da Libras como instrumento de inclusão, acessibilidade e respeito.

 

Ao ensinar uma música por meio da linguagem de sinais, Bernarda transformou o encontro em um instante de sensibilidade e conexão humana. A participação reforçou que um projeto voltado à transformação social precisa reconhecer todas as formas de comunicação, pertencimento e expressão.

 

Para mulheres, crianças e meninas em situação de vulnerabilidade, inclusão também é proteção. É garantir que ninguém fique invisível, que todas as vozes possam ser ouvidas e que cada pessoa tenha seu lugar respeitado.

 

Cultura marajoara como força de resistência

 

A programação também valorizou a cultura local com a apresentação do grupo de carimbó Uirapuru. A manifestação cultural emocionou os presentes e celebrou as raízes, a identidade e a resistência do povo marajoara.

 

Mais do que uma apresentação artística, o carimbó representou a força de um povo que transforma memória, ancestralidade e pertencimento em esperança.

 

Ao valorizar a cultura marajoara, o Projeto Amarajó reforça que cuidar de pessoas também é respeitar suas histórias, seus territórios e suas formas de existir.

 

Imposto de Renda: transformar contribuição em futuro

 

Durante a agenda, também foi reforçada a importância da destinação do Imposto de Renda para apoiar iniciativas sociais como o Projeto Amarajó.

 

A destinação de parte do imposto devido pode contribuir diretamente para a conclusão dos espaços de atendimento, especialmente o ambiente dedicado às crianças. Cada contribuição ajuda a fortalecer uma estrutura voltada ao cuidado, à escuta, à proteção e ao futuro de meninas, meninos e famílias marajoaras.

 

No Marajó, transformar imposto em esperança é também transformar vidas.

 

Cartórios do Brasil: cidadania, proteção e presença social

 

Ao final dos três dias de agendas em Portel, o Projeto Amarajó deixou uma mensagem clara: os Cartórios do Brasil têm um papel essencial na promoção da cidadania e também podem ser instrumentos de transformação social.

 

A partir do ELLAS, o Amarajó nasce como uma resposta sensível e concreta às realidades enfrentadas por mulheres, meninas e crianças no Marajó. Uma iniciativa que une documentação, proteção, acolhimento, cultura, inclusão, inovação e solidariedade.

 

No coração da Amazônia, os Cartórios do Brasil reafirmam que sua atuação vai além dos registros e documentos. Ela também está na defesa da dignidade, no enfrentamento à violência e na construção de caminhos para que cada mulher, cada criança e cada menina possa viver com mais segurança, respeito e esperança.

 

Projeto Amarajó: Cartórios do Brasil contra a violência, pela dignidade, proteção e futuro.

 

Fonte: Anoreg/PA