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Cartórios do centro de São Paulo têm queda nos registros de nascimentos e casamentos

22-04-2026

Um levantamento da Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo) revels que o número de registros civis nos cartórios da região central da capital paulista caiu nas últimas duas décadas.

No Bom Retiro, por exemplo, o cartório da região contabilizou ao todo 300 atos —nascimentos, casamentos e óbitos— ao longo de todo o ano passado. No mesmo período, o do Pari realizou 357, o do Brás 493 e o da Santa Ifigênia 579 atos. Na comparação com cartórios de fora da região central, o da Capela do Socorro, na zona sul, teve mais de 15 mil registros.

O estudo avaliou os 58 cartórios de registro civil das pessoas naturais de São Paulo e comparou dados de 2000 a 2025.

Leonardo Munari de Lima, presidente da Arpen-SP, diz que a falta de população residente no local pode explicar os números. “Os cartórios atuam com territorialidade, ou seja, quem nasceu naquela região, tem que ser registrado naquela região; quem mora naquela região, tem que casar no cartório daquela região; quem morre naquela região, tem que ter seu óbito registrado no cartório daquela região”.

A queda de registros de nascimentos nos bairros centrais nos últimos 26 anos também foi acentuada, de acordo com a Arpen-SP. Santa Cecília contabilizou 292 nascimentos em 2025, um decréscimo de 75% em relação ao registrado em 2000. Consolação e Brás também tiveram perdas de 65% e 63%, respectivamente em comparação ao mesmo período.

De acordo com a Fundação Seade, agência de estatísticas do Governo do Estado de São Paulo, entre 2010 e 2022, quase metade dos distritos da capital paulista —46 de 96— registrou perda populacional, sobretudo naqueles localizados no centro expandido, norte e leste da cidade. Os dados foram divulgados pelo órgão em abril de 2024 e tiveram como base o Censo Demográfico de 2022 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Folha visitou alguns cartórios da região central. Em um deles, com pouco movimento, um funcionário que optou por não se identificar relatou que nunca houve uma quantidade expressiva de registro de atos naquele cartório. Ele atribui isso ao fato de a região ser muito mais comercial do que residencial e não haver um hospital próximo.

Em outro cartório, especializado em registros civis para brasileiros no exterior, apesar de o movimento ser maior, uma funcionária relatou que o registro de atos para pessoas residentes naquele distrito também era muito baixo.

De acordo com a Arpen-SP, os cartórios do centro de São Paulo com maior número de nascimentos e óbitos registrados são aqueles localizados próximos a uma rede hospitalar, como é o caso do Cartório da Bela Vista, localizado na avenida Brigadeiro Luís Antônio. Em 2025, o cartório registrou 9.449, o equivalente a 7,7% de todos os nascimentos da capital naquele ano.

Ainda que o surgimento de serviços online, como o e-Notariado, tenha trazido mais praticidade para os cartórios de notas, Lima explica que os registros da vida civil ainda são realizados de forma presencial. “Atos de nascimento, casamento e óbito não podem ser feitos digitalmente, por isso não foram substituídos por meios digitais”, diz.

Fonte: Folha de SP