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Clipping – Jornal Cruzeiro – Número de divórcio quase dobra em sete anos em Sorocaba

05-11-2018

Dados fazem parte da Estatística de Registro Civil, divulgada nesta semana pelo IBGE

Enquanto o número de casamentos em Sorocaba teve uma pequena redução de 1,4 % entre 2016 e 2017, os divórcios cresceram 5% no mesmo período, segundo os dados de Registro Civil divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, 5.574 casais heterossexuais de Sorocaba resolveram oficializar a relação enquanto que no ano anterior foram registrados 5.653 casamentos. Se a comparação for feita com o ano de 2010, quando 4.307 uniões foram concretizadas, apresenta-se um aumento de 29,4%. Já as separações passaram de 2.499, em 2016, para 2.626 no ano seguinte. Quando comparado com 2010, os divórcios aumentaram 97%. Há oito anos 1.330 casais colocaram fim ao casamento.

A redução de casamentos e aumento nos divórcios, aponta Klívia Oliveira, gerente da pesquisa, ocorre pelo segundo ano consecutivo. “A proporção é de três casamentos para cada divórcio no País”, comenta. A exceção, afirma, fica por conta dos casamentos homoafetivos que, apesar de representarem pouco mais de 0,5% das uniões registradas, são a porção que segue crescendo.

 As idades médias na data do divórcio, segundo o IBGE, eram 43 anos para os homens e 40 anos para as mulheres. Entre 2010 e 2017, o tempo médio entre a data do casamento e a data da sentença ou escritura do divórcio caiu de 17 para 14 anos. Entre as relações que chegaram ao fim registradas nos cartórios de Sorocaba em 2016 e 2017, 265 duraram menos de um ano. No mesmo período, dez casamentos com duração de mais 26 anos também terminaram em divórcio.

De acordo com o tipo de arranjo familiar, 45,8% dos divórcios se deu entre famílias somente com filhos menores de idade. O percentual de separações com guarda compartilhada dos filhos teve aumento significativo, passando de 16,9%, em 2016, para 20,9% em 2017. As mulheres, conforme a estatística, ainda predominam na responsabilidade da guarda dos filhos menores: em 2017, esse percentual atingiu o valor de 69,4%, apesar de inferior ao de 2016, quando elas eram 74,4%.

Klívia destaca que desde 2014, a lei coloca que a guarda seja prioritariamente compartilhada, a não ser que exista algum problema que de fato impeça, o que refletiu diretamente nos resultados. “Percebemos que os filhos não são mais um impedimento para os casais se separarem”, diz a pesquisadora. Em 2017, o Brasil registrou 373.216 divórcios, um aumento de 8,3% em relação a 2016, quando foram registrados 344.526.

Casamentos

Em Sorocaba, desde que foi liberado legalmente, em 2013, o casamento entre pessoas do mesmo sexo cresceu 22,7%. No primeiro ano da estatística foram 44 casais oficializados, sendo 27 casamentos entre mulheres e 17 entre homens. Já no ano passado essas uniões somaram 54, com os mesmos 17 casais de pessoas do gênero masculino e 37 do feminino. Para as uniões homoafetivas, a idade média dos cônjuges foi de cerca de 34 anos para os homens, e 33 para as mulheres.

 Bianca Nascimento Alves, mestre em sociologia pela Universidade Federal do Paraná, destaca que as uniões homoafetivas continuam em crescimento por conta da ainda recente legalização. “Há muitos casais que vivem juntos há anos, mas só depois da Resolução 175, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é que começaram a planejar um casamento”, afirma.

Já sobre a redução no número de casamentos heterossexuais, Bianca destaca que atualmente as pessoas estão aguardando mais para oficializar a união e muitas vezes, por questões práticas e financeiras, acabam apenas dividindo o mesmo teto, sem o registro civil. “Diferente da questão romântica, que predominava antigamente, hoje o casamento tem ares mais burocráticos”, afirma. A socióloga afirma que atualmente as pessoas costumam recorrer ao civil por questões de segurança, principalmente quando a relação se torna familiar, com a chegada de filhos. “Para adquirir um imóvel junto ou então até pensando em uma situação de óbito. É nesse momento que as pessoas reconhecem a necessidade do casamento civil.”

 

Fonte: Jornal Cruzeiro